segunda-feira, 9 de junho de 2014

PSYCHÉ

A palavra “Psyché” em grego ou psique em qualquer um dos idiomas em que é utilizada se refere à alma. Um belo mito está por trás deste nome: a história de amor entre Éros e Psyché, contada pelo romano Apuleio no livro “O Asno de Ouro”. Da forma grega o mito procurava explicar a realidade e orientar as práticas das pessoas de acordo com a vontade de seus deuses. Atualmente, após mais de dois mil anos a psique se dissociou da alma, hoje a alma é da religião e a psique é da ciência. A alma platônica vinha pronta, acabada e chegada ao corpo tinha como função subjugá-lo para que o homem pudesse relembrar tudo o que esqueceu no processo vindo da alma para o corpo. Seríamos então a junção de dois elementos, o corpo e a alma.


Não muito diferente daquela época ainda hoje somos seres amplamente mitológicos, ainda utilizamos figuras fantasiosas para explicar o que a ciência não explica. Entre estes “mitos” existe um muito popular em nossa região: a benzedura. É algo interessante, basta parar por meia hora em uma roda de conversa de pessoas de pouco mais de vinte anos para ouvir histórias diversas de pessoas que foram curadas pela benzedura. Em alguns lugares dizem que a benzedura vai contra a religião, e é justamente o contrário: benzer é a atividade de um rezador, alguém que lida com o que é bento, com o que é de Deus. Como explicar que uma senhora, com pouca ou nenhuma educação consiga promover verdadeiros “milagres” com a sua oração em favor de alguém? Como é possível que um apelo à alma cure as doenças do corpo?

Algumas pessoas têm o que chamam de dom da revelação, que seria a capacidade de executar certas atitudes com base na fé. Outros têm o dom da Cura, da Palavra, enfim são dons por meio dos quais as pessoas agem em nome de seu deus. Estas atitudes são utilizadas também como forma de mostrar a presença e a ação de Deus entre as pessoas, são os Dons do Espírito Santo. Também existem as marcas, chamadas de “chagas da cruz”, que são as marcas que a crucificação deixou em Jesus, sendo que algumas pessoas recebem estas marcas pela sua ligação com Cristo. As chagas podem ser vistas em filmes como “Estigmata”, onde uma mulher recebe as marcas da cruz.

Fenômenos sem explicação, vivências singulares e ainda sem explicação são vistas em Filosofia Clínica como um Tópico chamado de Singularidade Existencial. Para os filósofos, benzer, dons, marcas da cruz, ver aura, telecinese, enfim, todo tipo de vivência singular não comum é vista como algo a ser estudado e não expurgado. Essa postura diante do novo é uma postura de respeito, de cuidado, de entender que ainda não temos explicação para tudo. A Filosofia Clínica entende que cada um é singular, cada um têm vivências propriamente de tudo o que acontece neste mundo. Estar diante do outro entendendo-o como um fenômeno único, singular é entender que ele pode viver algo somente seu, sem ser doente ou normal, apenas ser singular.

No entanto, ao longo da vida aprendemos o mito da normalidade, o mito de que existe um jeito certo de ser, em detrimento de um jeito errado. Quem vive na mitologia do normal, faz o que é normal, se comporta como o normal, sendo que é alguém ou alguma instituição que diz o que é normal, assim como também diz o que é doente. Alguns já perceberam que vivemos uma época onde todos estão em maior ou menor grau doentes, ou seja, em maior ou menor grau não conseguem ser “normais”. A alma, diferente do corpo, é onde podemos viver o fenômeno da singularidade, podemos ser diferentes de todos e qualquer um. Ser singular é assumir que posso não ser o que atribuem por normal, mas sou do meu jeito.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/


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