segunda-feira, 30 de junho de 2014

MEU CORPO É UMA JAULA

Assistindo a um famoso seriado estadunidense, Dr. House, ouvi uma canção interpretada por Peter Gabriel intitulada “My body is a Cage”. Essa expressão quer dizer, “meu corpo é uma jaula”, ou seja, “o corpo é o que me prende”. No decorrer da música, Peter diz que o corpo é uma jaula, mas que sua mente é a chave. O restante da música é composta por uma série de emoções que localizam a pessoa muito para baixo, onde ela vive um sofrimento profundo, mesmo dizendo o contrário. Ela está muito mal porque seu corpo é uma jaula, pois o impede de dançar com quem ama, mas sua mente é a chave para sair disso. Para ele, pelo menos na música, a mente é o caminho a seguir para sair do que lhe estiver impedindo de chegar perto de quem ama.


Passei algum tempo pensando nisso e nas pessoas que conheci pela vida. Para muitas delas seu corpo sempre será uma jaula. Pessoas como estas fizeram da mente o meio através do qual vivem sendo que ao corpo resta apenas realizar e acompanhar, pelo menos tentar. São corriqueiras as expressões que denotam a falta de agilidade do corpo frente a uma mente tão rápida. Expressões como: “precisaria ao menos três de mim para o que pensei em fazer hoje”; “eu ainda estou aqui, mas minha cabeça já está lá na frente”; “sou desastrado, pois acho que já fiz alguma coisa, mas meu corpo ainda está fazendo”. No caso do autor da música e da música em si, diz que suas emoções não podem ser vividas por causa de seu corpo. Para muitas pessoas é assim: se não fosse o corpo seriam o casal perfeito, os pensamentos, as ideias e tudo o mais têm a mesma velocidade, mas seus corpos não acompanham. Pessoas assim normalmente se encontraram cedo demais ou tarde demais.

Em outros casos a mente é justamente o que torna inviável as experiências do corpo e não uma solução. Essas pessoas são aquelas que vivem através do corpo e a mente é um acompanhante que pode ou não ser agradável. Quando o corpo estiver bem, os pensamentos dessas pessoas estarão bem, como exemplo podemos citar: “quanto estou com sono não consigo pensar em nada”; “se estiver com fome não consigo raciocinar”; “quando estou doente não consigo me concentrar nem na leitura”. Estas expressões dizem com clareza que o ponto de partida é o corpo, para estas pessoas a chave para viver bem com o que amam está longe da mente. Pessoas assim, para viver bem com o que amam devem estar com o corpo bem, assim poderão pensar e realizar as coisas com mais clareza. Para estas pessoas a prisão pode ser o pensamento, quando não conseguem parar de pensar algo ruim, quando estão com medo, quando cometem pecados. A chave será viver as coisas do corpo, as sensações, cheiros, cores, gostos e sons.

Aqui estão apenas dois exemplos de possibilidades da relação entre o corpo e a mente, em cada um tanto o corpo quanto a mente são e se relacionam de maneira diferente. Alguns serão mais de acordo com o corpo e suas vivências serão mais sensoriais, já outros terão a maior parte de suas vivências enquanto ideias, conceitos, abstrações. O que fará do corpo ou da mente uma prisão é o que não me deixa sair e a chave para isso dependerá de como a prisão foi construída. Em cada um de nós estão as chaves para abrir os cadeados existenciais que forem necessários abrir.
Por: Rosemiro A. Sefstrom
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