terça-feira, 24 de junho de 2014

MUNDOS

Olhando pela janela, dentro de casa e até mesmo dentro de cada um há uma representação de mundo. Quando alguém diz que o mundo é ruim, mau, bom, certo, errado, isso é assim para a pessoa que disse, da maneira como ela disse. Isso pode ser algo que ela construiu a partir das próprias vivências, pode ser algo gravado do que outras pessoas disseram, também pode ser o resultado de uma longa e bibliográfica reflexão e assim será para cada um. O mundo como uma representação foi uma teoria criada pelo filósofo Protágoras, do qual já se deve ter ouvido falar. Mas outro filósofo mais atual foi além, falou que o mundo é a minha representação, que não existem duas pessoas que vivam no mesmo mundo, assim como não existem duas representações. Sendo assim, em cada um de nós existe um mundo completamente diferente do mundo do outro e é a partir desta visão de mundo que a pessoa se posiciona diante daquilo que a cerca. E é justamente sobre isso que aqui vamos tratar.


Algumas pessoas olham para o mundo como um cenário pronto onde elas precisam se encaixar. Estas pessoas, quando olham para o mundo entendem que ele já está feito e o seu papel é ver o que precisam fazer para se colocar, ou seja, arrumar o seu espaço. Esta visão trata o mundo como coerção, uma realidade esquadrinhada que obriga o ser humano a se adaptar. Em certo ponto Rousseau concordaria com estas pessoas, lembrando que para ele o “homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. Pessoas que vêem a realidade deste jeito comumente usarão frases como: “está tudo pronto, tenho que ver onde me encaixo”. Dentro de uma empresa é aquele funcionário que acha o seu cantinho na estrutura e permanece ali, talvez tenha ambição de evoluir, mas o mais que conseguirá é evoluir para outro cantinho.

Há outras pessoas para as quais o mundo é uma questão de representação: estas são aquelas que entenderão que o mundo é diferente em cada um, como o pregado por Protágoras e Schopenhauer. As poucas pessoas que conseguirem chegar a este ponto terão uma vida em que o outro é um ponto de referência para suas considerações e não uma sentença. Para estas, o fato de alguém não gostar de sua cor preferida, de não entender como alguém pode achar que Deus existe será apenas mais uma opinião. Para saber quem tem o mundo desta maneira basta observar frases como estas: “Isso é assim para você”. Elas entendem que há opiniões diferentes e que devem ser respeitadas, mas não significa que tenham de aceitar. Numa empresa, o funcionário entende que seu gerente vê a empresa de determinada maneira, que não é bom nem mau, mas é assim para ele. E vendo diferente deste, encontra outros caminhos para chegar aonde deseja.

Muito mais raros que os anteriores, será possível encontrar pessoas que tem o mundo enquanto criação. Um mundo que tem sua estrutura pronta, que é diferente em cada um, mas que pode ser recriado a cada dia. Pessoas que olham para a realidade como um caminho de possibilidades, os poucos que ficaram conhecidos pela história ganham títulos diferentes: desbravadores, inventores, criadores, empreendedores e assim por diante. Estes raros seres humanos percebem que é possível ir além do discurso formatado criando possibilidades de ser e fazer diferente. Como no filme Matrix, são pessoas que não se encaixam no que vêem, acreditam no que vêem, mas, muito mais do que isso, acreditam que vai muito além do que está dado. Numa empresa são aquelas pessoas conhecidas como pessoas de criação, que vêem portas em paredes, janelas em muros. Aqueles que imaginam e colocam de tal forma o mundo imaginado que este se torna real.

A boa nova, como diz Lúcio Packter, é que não estamos presos a nenhum destes mundos. Cada pessoa tem a oportunidade de mudar, ir além do momento presente e se construir como um ser melhor. O mundo como coerção, representação ou criação não são bons e nem maus por si só, mas são de acordo com a história de vida de cada um. Quantos empreendedores deixaram de ser um sucesso por verem o mundo por coerção? Observe sua história e veja para onde está caminhando. Se não está gostando do destino de sua caminhada, pode redirecionar.
Por: Rosemiro A. Sefstrom
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