sábado, 4 de maio de 2013

'PURO SANGUE, PUXANDO CARROÇA"

A música “Dom Quixote” composta por Humberto Gessinger e Paulo Galvão canta a vida de uma pessoa que se dedica às causas perdidas. Ao longo da música vários trechos citam a forma inadequada como são aproveitados conhecimentos e recursos. Logo na primeira estrofe aparece a expressão “puro sangue, puxando carroça”, em outra parte diz ainda “grandes negócios, pequeno empresário”. Esses dois trechos, entre outros que possui a letra da música, retratam muitos casos onde se tem um recurso inestimável e o mesmo não é utilizado de forma adequada. Em cada pessoa há uma profunda e inestimável fonte de recursos, recursos que podem fazer a própria vida e de outras pessoas muito melhor.

Se alguém perguntasse a você, quais são seus potenciais e quantos deles você desenvolveu, o que responderia? Algumas pessoas têm muito potencial na área esportiva, mas abdicam de investir nesse potencial pela segurança financeira. Em muitos casos essa decisão custará uma vida inteira sem sentido, dias intermináveis dentro de um escritório e noites longas de insônia. Em outros casos ocorre o contrário: grandes oportunidades aparecem para pessoas que não sabem aproveitá-las, como diziam os antigos: “às vezes Deus dá asas para quem não sabe voar”. Esta é, na verdade, uma frase incompleta, pois Deus deu asas, mas a pessoa não aprendeu a voar. São os “grandes negócios para pequenos empresários”, como as empresas que sofrem da “síndrome do milhão”, que crescem até a capacidade de gerenciamento do proprietário. 

Muitos professores em salas de aula, nos dias de hoje, podem sentir-se verdadeiros “puro sangue puxando carroça”. Imagine um professor com vinte e sete anos de idade, dos quais passou ao menos vinte em sala de aula, com uma experiência acadêmica e conhecimentos espetaculares. Esse professor está em uma sala de aula pré-histórica, com uma pedra riscando em outra (quando muito tem o quadro branco e canetão), numa sala de aula em que até o momento havia trinta alunos e que agora querem passar para quarenta por sala. A questão é: como um puro sangue vai ser aproveitado numa carroça? Na educação particular não é muito diferente, o professor é servo, tratado quase como empregado do aluno, o pai muitas vezes é conivente com a má educação dos filhos e a escola, refém do pagamento da mensalidade. Neste caso o “puro sangue” tem uma boa estrutura, mas está amarrado a falta interesse ou ao interesse exagerado em notas.

Muitas vezes esse “puro sangue” somos nós, puxando uma carroça ou carregando uma cangalha como um burro de carga. Em Filosofia Clínica, com um bom exame da história de vida da pessoa e todo o restante do trabalho é possível tirar o “puro sangue” da carroça, fazê-lo deixar o peso da cangalha. Para muitos é cômodo sentar em frente do computador e fazer um trabalho repetitivo, ganhar seu dinheiro e fazer cara de feliz, mesmo morrendo por dentro. Para muitos toda a imagem, toda essa exposição é como “aerodinâmica num tanque de guerra, vaidades que um dia a terra há de comer”. Não tem nada de mais em ser o que os outros esperam, viver o que os outros vivem, comer o que os outros comem, mas tem de se aceitar o preço disso. 

Um “puro sangue” às vezes não se percebe, precisa ser percebido, não se vê, precisa ser visto. Muitos grandes empresários têm empresas de sucesso porque aprenderam a ver um “puro sangue” e investir nele. Muitas vezes o discípulo irá muito mais longe que o mestre, algumas vezes o empresário percebe que está apenas mostrando o caminho. São grandes os empresários que identificam e aproveitam o potencial de um “puro sangue”. 

Rosemiro A. Sefstrom
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