segunda-feira, 20 de maio de 2013

DESTINO

Podem acreditar, o destino vai mandar algumas cartas inesperadas. Boas e ruins. Não há como prever. Está além de nossas capacidades. Como lidar quando estas circunstâncias surgirem? Boas noticias não constituem problema e podem ser aproveitadas e curtidas na sua devida hora. Resta saber o que fazer com as más novas? A imprevisibilidade inerente não permite nenhum conselho, entretanto, podemos trabalhar nossos pensamentos para não ficarmos sem chão quando a hora ruim chegar. 


Ler muito ajuda. Perder-se nas páginas dos livros é um dos instrumentos libertários mais poderosos para a sobrevivência humana. Além da cultura e experiência de outras pessoas, teremos a chance de conhecer mais do mundo e de nós mesmos.

Ao conseguir se projetar e levar para dentro de um texto sua vivência pessoal, emoções, buscas, preconceitos, o leitor mergulha e se confunde com o que lê. O único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor. Se este for suficientemente tocado pelo texto, poderá construir imagens, refletir e até mesmo libertar temporariamente seu ego. Mesmo não sendo a intenção original, uma boa leitura proporcionará, consciente ou inconscientemente, a aquisição de ferramentas emocionais capazes de ampliar horizontes e expectativas.

Além da leitura, podemos abastecer pensamentos com informações, sensações, emoções que nos fazem bem no dia a dia, para que fiquem indexadas. Meditando, escrevendo, falando, tocando, ouvindo. Quando as cartas inesperadas chegarem, nossa estrutura de pensamento se encarregará do trabalho de seleção, direcionando as coisas indexadas para o nosso lado e providenciando um descarte para as demais.

Pode parecer complicado, mas não é. Você gosta de escutar música clássica, Vai e volta do trabalho se deliciando com Mozart, Beethoven, Bach, Vivaldi. Alimenta seus ouvidos e sua alma com sinfonias eruditas. O que acontece quando ao ligar o rádio a emissora está tocando uma música popular? Assim como imagino que você deverá trocar de estação, de modo semelhante, suponho que quando o destino enviar algo que lhe seja estranho e desconfortável, seu pensamento logo vai direcionar você para aquilo que lhe faz bem.

Resumindo, quando algo de ruim acontecer, ao invés de manter o foco na adversidade, podemos aproveitar todas as experiências agradáveis adquiridas na leitura e nos bons momentos vividos para tentar descolar esta situação de nosso pensamento. Ela não estará indexada no arquivo daquilo que somos ou gostamos e aos poucos será descartada. Não haverá espaço para estes infortúnios. Cabe a cada um de nós apenas fornecer substratos para que a estrutura de pensamento conheça nossas satisfações e realize o processo de depuração.

Selecionei algumas felicidades pessoais. É um exercício diário. Amanhã posso adicionar outras sensações ou reconsiderar determinado prazer. Serve para minha forma de pensar. Para você, pode e deve ser diferente. De qualquer forma, talvez meus sentimentos, aspirações e expectativas lhe inspirem e façam refletir.

- Que as mentiras pareçam mentiras
- Que um minuto de reconciliação valha mais que toda uma vida de amizade
- Que ser honesto não saia tão caro
- Que ser covarde não valha a pena
- Que mesmo não sabendo onde ir, saiba para onde voltar
- Que meu coração continue falando
- Que meus amores continuem em mim
- Que o beijo não termine
- Que a lua de mel não se ponha
- Que a vontade de ir embora não me alcance
- Que minha cama seja aquecida
- Que as esperas sejam deliciosas
- Que minhas mágoas não tenham âncoras
- Que exista outro amanhã, outros sonhos, outros risos, outras coisas
- Que os porquês se respondam com sentimentos
- Que o fim do mundo me pegue bailando
- Que o destino me chame na hora certa
Por: Ildo Meyer
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