terça-feira, 22 de julho de 2014

O PRIMEIRO CHOQUE RELIGIOSO

A-Crise-Religiosa-Que-Precisamos-Resolver.


Ele trata do conflito entre religiões onde o Deus é comunitário e ecológico e as religiões onde o Deus é nômade e acompanha o povo onde estiver.
O primeiro choque entre estes dois tipos de concepção de religião ocorre entre Judeus e Babilônios na cidade de Uruk.
O Deus de Uruk era Anu, que protegia a cidade como um todo e as terras em volta.
Os judeus, sendo nômades, desenvolveram deuses tribais, cada um protegendo a sua tribo. A união destas tribos e destes deuses se dá pelo acordo que fizeram de chamá-los de Jeovah, aquele cujo nome não pode ser mencionado. 
Jeovah será o Deus nômade que acompanha os judeus e os protege.
Esta frase irá causar uma série de problemas para os judeus, porque é normalmente entendida ao contrário.
Até hoje muitos judeus se consideram “o povo escolhido por Deus”, o povo protegido de Deus, quando na realidade é o contrário.
Judeus é que escolheram Jeovah para ser o Deus que os acompanha. E assim colocado fica muito menos arrogante, e muito mais aceitável para as demais religiões.
Por que Deus escolheu a Israel para ser o seu povo escolhido? é um texto comum na net e colocado assim pode gerar muita incompreensão e animosidade. 
O erro está em não entender que todo Deus nômade escolhe o seu povo, e os judeus não eram o único povo nômade na época, e a frase não significa o que a maioria das pessoas hoje imagina.
Jeovah protege os judeus dentro da lógica do Deus nômade que protege um povo, e não um território.
Infelizmente, a mudança do nome Jeovah para Deus, complica hoje esta frase.
A ideia atual que só existe um único Deus, tornou a frase “Judeus são o povo preferido por Deus” totalmente fora de contexto, e arrogante, o que custou aos judeus uma série de infortúnios.
A situação se complica ainda mais com os judeus na Babilônia.
Há uma incompatibilidade em se ter um Deus pessoal morando numa cidade que possui um Deus territorial.
Existe uma enorme incompatibilidade em seguir os ditames, a moral, a ética e os valores compartilhados de um Deus nômade, se por alguns anos você pretende morar ou por força ou por circunstâncias, numa cidade que possui um Deus territorial com valores compartilhados com ética e moral totalmente diferentes.
Lembre-se que naquela época Estado e Religião se confundiam, as leis eram únicas.
E as leis de Deuses nômades nem sempre eram as mesmas, certamente também não eram os ritos e cerimônias.
Isto gerava uma série de conflitos com os residentes, os mesmos que vemos hoje na França entre franceses e islâmicos, em Israel entre judeus e palestinos.
Quem iria ceder?
Quem diz que numa mesma cidade ou comunidade todos devem ter a mesma ética, valores compartilhados, rituais?
Quem diz que numa mesma cidade ou comunidade não se possa ter o multiculturalismo, várias etnias morando em harmonia, sem preconceito, respeitando os valores dos outros?
Provavelmente foram os próprios Rabinos judeus os primeiros a perceber este conflito religioso, Nomadismo versus Comunitarismo, e foram os primeiros a sugerir uma solução:
O monoteísmo e o multiculturalismo.
O monoteísmo como uma solução ao afirmar que no fundo existe um único Deus, um meme corajoso na época mas hoje considerado lógico e inquestionável.
E o multiculturalismo, que sugere que mesmo com um único Deus e seus valores comuns e compartilhados, é possível ter uma sociedade com valores diversos e não compartilhados, um contrassenso que muitos não percebem.
Mas devido aos problemas dos conflitos de Religiões, esta solução dos Rabinos nos serviu por 2.000 anos, e somente agora está sendo questionada.
Aos leitores judeus quero deixar bem claro que faz todo sentido para um povo que estava temporariamente subjugado no Egito. E, que pretendia voltar um dia para Israel e manter o seu Deus nômade, e não respeitar os Deuses do Egito como queriam os Faraós, os Papas Católicos, os Pastores Alemães.
Por outro lado, faz todo sentido que uma cidade como Alexandria que possui um Deus comunitário se sinta ameaçada por estrangeiros que se recusam a adotar a religião local.
Dois mil anos depois, este mesmo conflito se deflagra aqui ao lado em Portugal, onde os locais exigiram que os judeus se tornassem Cristãos Novos, o que muitos concordaram.
Os reis e a Igreja de Portugal erraram ao exigir dos judeus a “assimilação”, um termo um tanto forte que lembra negação.
O termo correto seria “aceitação”, como se alguém dissesse “como eu não sou mais nômade, e pretendo viver nesta cidade para sempre, aceito compartilhar seus valores compartilhados para que possamos viver em harmonia, mesmo que de imediato não concorde com tudo que está aí “.
Em vez de aceitar os costumes locais, ficou a tradição de levar consigo um Deus pessoal e não aceitar o da comunidade.
Tradição que nós Cristãos adotamos também, talvez não tão intensamente.
Cristãos carregam Jesus nos corações, enviamos missionários para todos os cantos do mundo, acreditamos num único Deus, no monoteísmo.
Como resolver este problema?
Algo para se pensar.
Por: Stephen Kanitz
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