terça-feira, 8 de julho de 2014

NÃO SOU PESSIMISTA, SOU REALISTA!

Quando era pequeno costumava subir no mudo de casa com um pedaço de pano amarrado ao pescoço e pular. Quando pulava do alto do muro de pouco mais de um metro, me sentia como se estivesse voando, era uma sensação tão boa que repetia esse movimento várias vezes, até ficar exausto. Era o próprio super homem voando para salvar pessoas, ajudar os necessitados. Outra coisa que costumava fazer era sentar no pátio, pegar meus carrinhos e planejar como seriam as estradas, casa, garagem. Nestes e outros tantos momentos de minha infância vivia um mundo de mentira, uma realidade inventada em minha cabeça. Essa realide não era verdadeira, eu sabia disso, mas nada me impedia de um dia após o outro brincar neste mundo de faz de conta.

Então cresci, passei a olhar o mundo com outros olhos, aprendi a ver a realidade e não ir mais ao mundo do faz de conta. Essa nova realidade que aprendi a ver é um mundo interessante, nele aprendi a ver as dores, o sofrimento de pessoas que, como meu pai, dormia durante o dia e trabalhava duro durante a noite. Também aprendi a ver a realidade de uma mãe de família que mês a mês juntava os poucos trocados ganhos com um mês de trabalho e tentava alimentar, vestir, educar, manter saudáveis os membros da família. Aprendi ainda que a realidade é aquela em que a verdade é sempre obrigatória, uma necessidade de primeira ordem, quase mais importante do que comer.

O relato mostra o oposto entre a vida criativa de uma criança e a vida calcada na realidade de um adulto. Na vida adulta, tanto uma quanto a outra realidade são parte do discurso: faz parte da vida acordar num dia de domingo, sentar-se na sala, pegar seu video game e se achar o piloto de formula 1. Assim como não tem nada de errado juntar os recibos do mês, colocá-los numa planilha e projetar os gastos dos meses seguintes. O problema que vem ocorrendo são os excessos cometidos por pessoas que se dedicam exclusivamente em criar um mundo de faz de conta, onde a realidade se perde de vista. Na outra ponta existem os casos de pessoas conhecidas por serem verdadeiras, algumas delas cometem o “sincericídio”, ou seja, o ato de assassinar pessoas justamente por serem extremamente verdadeiras, em certos casos, sem necessidade alguma.

O realista é uma pessoa sincera, vê o mundo com uma clareza impressionante, é espantosa a maneira como consegue traduzir com poucas e duras palavras a realidade. Ao sincero o filho com problemas de aprendizado é um vadio, alguém sem a capacidade de aprender o que todo mundo aprende. Para ele o casamento é uma instituição criada pela igreja para dominar as pessoas através de teorias não verificáveis em vida. O salário é um triste fardo a ser administrado de forma que acabe depois da necessidade. Pior ainda: a necessidade continua e o salário já terminou. Existe uma série de predicados que torna uma pessoa realista um bom modelo de vida, alguém que vive a realidade.

Ver um mundo em que tudo deu, está dando ou vai dar errado não é uma boa forma de ser realista. Isto está mais para pessimista. Sentar ao vídeo game e simplesmente brincar de ser piloto de corrida, jogador de futebol ou lutador de luta livre não é deixar de ser realista, mas perceber que a realidade não vai mudar só porque eu faço questão de ver o pior dela.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site:http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/
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