sábado, 31 de maio de 2014

ESPACIALIDADE

Em Filosofia Clínica existe um tópico chamado de Espacialidade. Nele os filósofos estudam os tópicos chamados Deslocamento Curto e Deslocamento Longo, Inversão e Recíproca de Inversão. Destes quatro, gostaria de me dedicar primeiramente a dois deles: Deslocamento Curto e Recíproca de Inversão. Deslocamento Curto pode ser definido como uma propensão ou característica da pessoa de estar voltada ao ambiente, ou seja, se ela está numa sala ela pode estar atenta às cores, disposição dos móveis, sons, enfim, ela estará conectada ao ambiente. Já a Recíproca de Inversão tem como característica estar voltado para o outro, estar atento ao outro no seu modo de ser. É necessário lembrar que trago aqui definições resumidas, apenas uma introdução.


Uma pessoa que apresente abertura para estes dois tópicos ao mesmo tempo está atenta ao ambiente onde está inserida, assim como às pessoas que a rodeiam. Um exemplo simples: andando pelo supermercado com o carrinho de compras, a pessoa presta atenção à disposição de seu carrinho no corredor. Ao mesmo tempo se coloca no lugar dos outros que também precisam passar pelo mesmo corredor, assim ela desloca seu carrinho para próximo das prateleiras para que sobre mais espaço para circulação. De forma concomitante, ela percebe o ambiente e ainda as pessoas, a conexão entre estes dois aspectos poderia soar assim: “Vou colocar o carrinho no canto porque aquela senhora quer passar”.

Porém, cada vez mais encontramos pessoas que vivem distantes do local onde estão e voltadas apenas para si. Fazendo uso dos dois outros conceitos, Deslocamento Longo e Inversão, explicamos o que vem acontecendo com frequência. Deslocamento Longo é a propensão ou característica de alguém que sai do ambiente de onde está e vai para outros lugares ou tempos através do pensamento. A Inversão é uma característica de pessoas que estão voltadas para si mesmas, seus pensamentos, emoções, dores, etc. Juntando estes dois fatores temos uma pessoa que está no supermercado fisicamente, mas provavelmente sua mente está em outro lugar pensando em si mesma. É necessário lembrar que apenas neste exemplo fiz a junção obrigatória destes dois fatores, em cada caso pode ser diferente.

O segundo exemplo ilustra bem uma pessoa que ao fazer compras, pensando nos gastos do mês, no cachorro que ficou solto, no patrão que está bravo, enquanto anda pelo supermercado deixa seu carrinho no meio do corredor trancando os dois lados. Uma pessoa que fez este movimento está longe, dedicando-se às suas coisas, desconectada do local onde está. Em sua cabeça pode estar: “O preço do arroz subiu, no mês que vem vou ter que ver o que posso economizar se não vai faltar dinheiro”. Enquanto isso seu carrinho atrapalha o restante das pessoas em suas compras, quando não ela mesma tranca o restante da passagem que sobrou.

Estar atento ao ambiente pode ser a diferença entre a vida e a morte. Muitos acidentes acontecem porque a pessoa foi via Deslocamento Longo, para outro lugar e ficou desatenta ao trânsito. Outros tantos acidentes acontecem porque alguém resolveu pensar somente em si mesmo, como no caso daqueles que ultrapassam pelo acostamento para adiantar uma viagem onde muitos outros aguardam na fila. Não há movimentos corretos ou incorretos, mas momentos em que eles são mais ou menos necessários. Cada pessoa tem o seu modo de definir quando deve estar em Inversão ou Recíproca, algumas vezes tenho que pensar em mim primeiro, mas em outras não.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/


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