terça-feira, 20 de maio de 2014

A RAZÃO DECIDE!

Em vários artigos abordei sobre a historicidade enquanto material de que é feita a clínica filosófica, em outros, discorri sobre o exame das categorias. Poucas vezes, no entanto, falei sobre submodos. Em Filosofia Clínica, a historicidade é o trabalho de coleta dos dados de vida da pessoa. Com estes dados o filósofo clínico montará o que chamamos de Estrutura de Pensamento (EP), ou seja, verificará como o conteúdo existencial se combina na pessoa formando sua malha intelectiva. A EP é o que a pessoa tem como conteúdo, aquilo que ela acumulou ao longo da vida a partir de tudo o que viveu. Mas, além da EP, ao longo da historicidade o terapeuta também observa algo chamado de submodo. Este pode ser descrito como o jeito de ser da pessoa, a maneira como a pessoa coloca em movimento os conteúdos da EP. O submodo é identificado na historicidade da pessoa e alerta ao filósofo o que e como ela faz para lidar com seus conteúdos existenciais.


Algumas vezes a pessoa usa seus submodos de forma produtiva e vive bem, mas outras vezes usa de forma incorreta e isto lhe provoca muito sofrimento. Quando o filósofo clínico coleta estes dados, observa ainda a que conteúdos da EP estes submodos estão conectados, isto é, o que fará com que o trabalho possa realmente acontecer. Quando o terapeuta se apropriou do conhecimento de como a pessoa coloca seu conteúdo em movimento e usa com ela já é chamado de procedimento clínico. Agora é o jeito da pessoa usado de forma didática com ela mesma, retirando-se dela o que precisa e devolvendo-se de maneira terapêutica.

Um submodo interessante é o esquema resolutivo, que algumas pessoas usam muito bem e outras sequer sabem o que é. Este submodo é o colocar as coisas na balança, o famoso pensar os pontos negativos e positivos de algo antes de decidir. Em empresas este é um procedimento de ponta, faz parte da maior parte das decisões visto que faz o administrador pensar os prós e os contra de sua decisão. Só que o esquema resolutivo só terá validade se realmente for pensado em termos de pontos positivos e negativos, sem a interferência de nenhum outro conteúdo.

Alguns maridos, com desejo de comprar um carro, sentam-se em casa com a esposa, debatendo com ela debatem sobre as vantagens e desvantagens da compra. Mas, qual será a decisão ao final? Se o esquema resolutivo for realizado corretamente, vencerá o lado que propor as prioridades do casal. No entanto, alguns esquemas começam muito bem, mas quando o casal percebe que o momento não é para se comprar o carro pára e decide pela emoção ou pela busca. Este submodo não é exatamente uma poesia, mas ajuda muito na tomada de decisões se a questão for puramente prática.

Assim como as ferramentas de um marceneiro, mecânico ou qualquer outro profissional, os submodos também podem ser mais ou menos adequados. O esquema resolutivo é um submodo de cunho mais mecânico, tendendo para decisões que levem em conta apenas aspectos ou proposições racionais. Mas algumas pessoas o usam para questões emocionais, tentando fazer a conta de quantas coisas boas tem mais do que ruins em um relacionamento. Se a pessoa for estritamente racional e o relacionamento for avaliado deste ponto de vista, a conclusão será uma, mas se houver amor e não houver objetividade a pessoa pode estar enganando a si própria. Apenas como um exemplo, pode-se citar o caso daquela menina que tem um namorado grosseiro, distante, mal educado, vadio. Se ela fizer um esquema resolutivo e colocar tudo isso na balança ela terminará o relacionamento. Porém, isso não acontece pois ela ama o rapaz.

O problema é que alguns desenvolveram na vida uma só ferramenta existencial e fazem praticamente tudo pelo mesmo caminho. Usam os mesmos submodos para situações muito diferentes e isso lhes traz grandes dificuldades e sofrimentos. Como diz o ditado: “Quando só se tem martelo, muita coisa começa a parecer prego”.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/
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