quinta-feira, 7 de março de 2013

PENSAR E AGIR

Esta semana recebi uma dica de leitura, a resposta que Max Gehringer deu à carta de uma ouvinte. Ao final coloco o endereço do blog de onde o texto foi retirado. Na carta ela comenta: “Meu superior me chamou a atenção na frente de meus colegas, de maneira áspera e mal educada, por um erro que cometi. Não engoli a desfeita e imediatamente fui reclamar no setor de recursos humanos”. Não há intenção de avaliar o comentário muito bem feito por Gehriger, o qual disse, resumidamente falando, para que seja avaliado se esta atitude é uma exceção ou um padrão. Caso seja uma exceção, a reclamação é infundada e pode gerar mágoa, caso a atitude seja um padrão, a reclamação procede na tentativa de coibir esse tipo de atitude do supervisor. Agora faço uma análise mais demorada acerca da pessoa que reclamou de seu supervisor ao setor pessoal. 

Em dois artigos já publicados com os títulos Decidir e Retórica e “Fazetórica”, comentei sobre os métodos utilizados para tomadas de decisões e no segundo comento a diferença entre falar e fazer. No caso da pessoa que reclamou ao setor pessoal sobre uma atitude do supervisor, ela falou sobre a ação do supervisor, mas esqueceu de falar da sua atitude. Não se trata da atitude de reclamar, mas da atividade intelectual que levou a pessoa a reclamar por causa da desfeita. Primeiro é preciso verificar o que seria chamar atenção na frente dos colegas, o que essa pessoa considera frente dos seus colegas e em que estágio de trabalho ela está. Seria perfeitamente razoável considerar que ela na posição de aprendiz, fosse advertida publicamente como caráter pedagógico aos outros aprendizes que trabalham com ela. 

A mesma análise se pode fazer com os termos “de maneira áspera” e “ mal educada”. Dependendo da região do país onde se encontra esta pessoa o uso de expressões como: “isso está errado” já pode ser considerado uma grosseria. Ou seja, a interpretação das palavras que é feita pela pessoa lhe leva a entender a atitude do outro como desfeita. Esse entendimento não gerou reflexão, mas ação, ou seja, a pessoa recebeu a atitude como ofensa e se colocou na posição de reclamante, o que também pode ser considerado uma ofensa por seu supervisor. Assim, o supervisor pode considerar uma afronta a reclamação ter se dirigido ao setor pessoal, pois a reclamação foi também pública. Também pode ser considerada falta de educação falar com outros antes de falar com aquele que cometeu o erro. 

Se a pessoa que se sentiu ofendida fizesse uso, em ordem, dos tópicos Ação, Hipótese e Experimentação, poderia ter tomado outra atitude. Apenas como exemplo veja o que poderia acontecer, iniciando pela Ação: ela é ofendida e pensa sobre o que aconteceu para que a atitude do supervisor fosse tão ofensiva quanto aparenta. Agora do ponto de vista da hipótese: ela pensa primeiro em conversar com seu supervisor e ver o motivo de tal atitude, depois pensa em reclamar no RH. Também pode pensar e não fazer nada, pois foi um ato falho do supervisor. Na Experimentação ela avalia cada uma das hipóteses, ou seja, se falar com ele o que acontece? Se reclamar no RH o que acontece? Se ficar quieta o que acontece? Só depois de fazer esses três passos ela poderia tomar a decisão sem se preocupar com o resultado, pois este já estaria previsto.

A recomendação que fica é que agir deve ser colocado depois de pensar, pois uma pessoa que age impulsivamente no ambiente organizacional fica à deriva de quem avalia. A elaboração de uma estratégia de ação, mesmo na postura de reclamante, garante o resultado mais próximo do desejado. Esta reclamante pode aparecer aos colegas e ao RH como uma pessoa com muito retórica e pouca “Fazetórica”. Blog: http://andretopanotti.blogspot.com.br/2013/03/reclamei-do-chefe-no-rh-e-agora.html, Aceso em 05.03.2012.

Rosemiro A. Sefstrom
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