sexta-feira, 14 de setembro de 2012

LOUCOS E SANTOS

Querido leitor, hoje vamos falar de um interessante tema: loucos e santos.

Oscar Wilde, dramaturgo, escritor e poeta irlandês, que se destacou na Inglaterra por seus escritos no período Vitoriano, escreveu um poema que não tem tempo. É atemporal. Loucos e Santos é o seu título. Antes de prosseguir com o poema, vale a pena dizer que Wilde foi preso e humilhado perante a sociedade por causa de uma opção, a opção sexual: ele era homossexual. Isso levou-o, inclusive a prisão. 

Voltemos aos loucos, aos Loucos e Santos.

Escreveu Oscar Wilde: “Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos”. Lembrando que naquela época um desejo ruim era o de que os inimigos contraíssem maus hábitos. “Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo”, continuou o poeta. “Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco”.

Mas como tudo tem, no mínimo, os dois lados, ele que dizia preferir os loucos, agora se curva aos santos, lembrando que homem santo e mulher santa nada mais é do que homem são, mulher sã.

“Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria”.

Da obra de Wilde foram baseados vários filmes como “A liga extraordinária”, “Dorian Gray”, mas a vida de Oscar Wilde é quem deu subsídios para o filme “Wilde”.

Diz o autor: “Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.” O irlandês toca fundo quando diz: “Não quero amigos adultos nem chatos”.

Ainda prosseguindo no poema deste ser humano sensível: “Quero-os – os amigos - metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa”.

Ao finalizar, Oscar Wild expõe: “Tenho amigos para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”.

Faço deste poema, o meu poema.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa dos loucos? O que acha sobre os santos?
Por: Beto Colombo
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