quinta-feira, 13 de março de 2014

O PRISIONEIRO

Há em Filosofia Clinica um tópico que se chama padrão e armadilha conceitual. Este tópico bipartido versa sobre os dois lados de uma mesma moeda. Algumas pessoas seguem seus dias desenvolvendo uma rotina. A isso chamamos de padrão. Do outro lado há pessoas que estão presas a certos comportamentos, como um trem preso a um trilho, do qual, por mais que queira não pode sair. A isso chamamos armadilha conceitual. Quem define o que é padrão ou o que é armadilha conceitual é sempre a pessoa.


Para entender melhor coloquemos uma situação dos dias de hoje, um “casamento de aparência”. Este é o caso em que um homem ou mulher permanece num relacionamento por uma necessidade outra que não a interseção entre os dois Essa necessidade pode ser posição social, ou seja, tanto o homem quanto a mulher permanece ao lado do outro para participar de certos círculos sociais. Pode também ser por causa dos filhos: o homem não se separa de sua mulher para continuar participando da vida dos filhos. Pode ser também por causa de dinheiro, ele ou ela podem continuar com o outro para permanecer desfrutando dos benefícios que o dinheiro pode comprar. Agora vem a pergunta: O casamento de aparência é um padrão ou armadilha conceitual?

A reposta é simples, não se sabe, vai depender da maneira como a pessoa significa sua circunstância. Caso o homem ou a mulher esteja vivendo esse casamento apenas de aparência por vontade, ou seja, vive desta maneira, mas se quiser sai a qualquer momento, provavelmente é um padrão. No entanto, se a pessoa vive certa situação da qual não consegue sair, sente-se preso, ai sim estamos falando de armadilha conceitual. Este tipo de amarra é chamada de armadilha conceitual porque a prisão só existe para a pessoa que vive, para uma pessoa que vê a situação de fora tudo seria facilmente resolvido.

Uma armadilha conceitual é, então, qualquer conceito ao qual uma pessoa sinta-se presa. Como nos casos anteriores, pode ser posição social, podem ser os filhos, pode ser o dinheiro, qualquer que seja o conceito que prende a pessoa, ai está a armadilha conceitual. Quando se diz que é a pessoa quem determina essa amarração é justamente porque só quem está realmente presa é ela. Se ela vive um casamento de aparência e não consegue sair, seja qual for o motivo, eis uma armadilha conceitual.

Assim como um padrão, a armadilha conceitual não é boa nem má, só podem ser consideradas a partir de um juízo de valor de acordo com a vida de cada um. Para você, fazer as coisas sempre iguais ou ter uma rotina faz bem? Ou o contrário, para você estar amarrado a certas coisas faz bem? Atendo muitas pessoas que chegam ao consultório desesperadas porque não sabem como viver com dívidas. Para estas pessoas uma dívida é uma prisão, elas sentem-se sufocadas por contas e precisam pagar para sair desta prisão. Enquanto conheço outras que dizem o contrário, dever é uma forma de estimular o trabalho, para estas a dívida é o que estimula. Dever para estas pessoas é o padrão e não tem nada de errado.

O padrão é uma linha condutora e a armadilha é o fim dessa mesma linha. Quando se chegar ao fim da linha e não souber como continuar se pode pedir ajuda. No entanto, cada um, a sua maneira, tem muitas ferramentas para criar os caminhos para além do fim da linha. Não há nada mais vasto que a alma humana, entre tudo o que se conhece e que está ainda por conhecer o ser humano é “in-conhecível”.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/


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