quinta-feira, 11 de julho de 2013

MATEMÁTICA EXISTENCIAL

Algumas pessoas veem o mundo através de números e contas. Há alguns dias atrás, sentado no cafezinho, ouvia a conversa de duas mulheres sobre seus relacionamentos. A primeira delas dizia: “vivo com meu marido há quatro anos, tive cinco filhos, subi dois níveis na minha carreira profissional”. A outra falava que estava no quarto namorado, devendo metade de tudo que tinha e sem nenhum filho. Prestando atenção à conversa alheia fiquei interessado em saber o resultado de cada uma das duas contas, como estas ficariam depois do sinal de igual. A primeira colocou que estava cem por cento satisfeita com sua vida, já a segunda atribuiu nota sete a sua vida atual. Agora, será que o cem por cento da primeira equivale aos sete da segunda? Ou será que o sete vale mais do que o cem por cento? A conta existencial feita pelas mulheres deve ser vista do ponto de vista de cada uma, ou seja, o valor de cada termo da equação deve ser pesquisado.

O exemplo ilustra o modo como algumas pessoas olham para o mundo: para elas a vida é um grande escritório contábil. Em Filosofia Clínica casos como estes são entendidos como pessoas que têm como determinante o tópico 07, Termos Universais, Particulares e Singulares. Cada pessoa em sua Estrutura de Pensamento (EP) leva matematizações em proporções diferentes, o mais importante: cada pessoa atribui valores diferentes a cada produto presente na equação. Pense na esposa que chega em casa depois de um dia de trabalho e vê a casa toda bagunçada, filhos sem banho tomado, janta por fazer, sendo que o marido passou o dia em casa. Que conta faria essa mulher? É provável que ela diga, trabalhei o dia inteiro, chego em casa cansada, a casa está bagunçada, filhos sem banho tomado, janta por fazer, é isso que eu ganho por ter casado com um homem folgado. Veja, a conta dela se justifica pela opção de casamento.

Algumas pessoas fazem contas muito simples, os termos colocados na equação são inteiros como: beleza mais dinheiro igual amor à primeira vista. Os conceitos utilizados pela pessoa são valorizados de tal maneira que propiciam a ideia de casamento. Essa conta pode ser feita de maneira simples: mentiroso mais traição igual a fim do relacionamento. Os números para pessoas que fazem contas simples são inteiros, são contas fáceis de se perceber. Contas mais difíceis são aquelas nas quais a pessoa começa a pesar frações, como aquela que pesa: dois maridos, mais menos um filho, mais uma carreira de sucesso. Como essa conta termina? Representando essa conta em números: 2 + (-1) + 1 =? Outro tipo de conta, ainda mais complexa é aquela de pessoas que colocam por formas, como: eu era inteiro até que me foi arrancada uma parte, agora sou apenas uma parte de mim. Esse relato é frequente em pessoas que matematizam frações. Para algumas pessoas o que lhes deixou incompletas foi a morte de um filho, para outros a perda de um membro, uma perna, um braço.

Matematizar, fazer contas, quantificar as coisas da vida para alguns é inadmissível, para outros é parte da sua existência. São pessoas que olham para mulher, filhos, amigos, trabalho, amor, como coisas que podem fazer parte de uma equação que terá um resultado positivo ou negativo. Algumas pessoas vivem muito bem com resultados negativos para o mundo, mas positivos para si, como diz o ditado: “Mais vale um gosto que um tostão no bolso”. Outras pessoas põem valor em tudo, ao mesmo tempo em que estas coisas valem nada diante da necessidade de um filho. É necessário verificar em cada um o que tem e o que não tem valor. Infelizmente algumas pessoas dão valor àquilo que em verdade nada vale. 

Por: Rosemiro A. Sefstrom

Do site www.filosofiaclinicasc.com.br 
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