domingo, 2 de junho de 2013

DEFEITOS


O que é uma característica? Segundo o dicionário, pode-se dizer que características são os traços que definem e diferenciam uma coisa de outra, no caso das pessoas, uma pessoa de outra. Essas características quando avaliadas podem ser entendidas basicamente de duas maneiras: se forem consideradas positivas são qualidades; se são consideradas negativas são tomadas por defeitos. No entanto, há aspecto que muitas vezes fica de lado na qualificação das características de uma pessoa: as circunstâncias em que são avaliadas. Vamos trazer esta reflexão ao plano das organizações. Estas circunstâncias valem tanto para a organização quanto para a pessoa, ou seja, ao avaliar as características de um possível colaborador deve-se olhar a organização e a pessoa que vai entrar nela. Se o avaliador olhar só para o colaborador pode contratar uma ótima pessoa para o trabalho, mas péssima para a organização. O contrário também pode acontecer, ou seja, se contratar uma pessoa que combina perfeitamente com a organização, mas não produz os resultados necessários. É imprescindível um alinhamento entre as duas partes para que a contratação seja harmoniosa para a pessoa e para a organização.

Para exemplificar melhor pode-se pensar em algumas características e a partir delas fazer uma avaliação mais de acordo. Há pessoas que tem como características não ter boa relação com as pessoas com quem trabalham, geralmente contribuem para atritos dentro do grupo. Isso pode ser considerado um grande defeito caso ela seja contratada para liderar ou trabalhar com um grupo, ao passo que será uma qualidade interessante quando a pessoa é colocada para trabalhar sozinha. O problema é que algumas vezes a sua capacidade de fazer é considerada como capacidade de liderar, ensinar, motivar, resolver conflitos. Boa parte dos casos é exatamente o contrário, elas são muito boas no que fazem, mas péssimas para liderar um grupo. Deste modo, ser uma pessoa que não consegue trabalhar com grupo será defeito se a pessoa for colocada nesta posição, mas se for colocada para trabalhar sozinha será uma qualidade. 

Outro caso são aquelas pessoas que têm como característica começar e não terminar as tarefas. Quando são colocadas num ambiente em que elas precisam criar e colocar em funcionamento um projeto se dão muito bem. Porém, quando sua posição na organização exige que elas iniciem, desenvolvam e terminem um projeto, aí teremos problemas. É o caso de quem é muito bom para contratar e treinar funcionários, mas tem dificuldades sérias para desligá-los. Essa característica será considerada uma qualidade ou um defeito de acordo com o local onde for admitia a pessoa.

O grande problema é que se avaliam as pessoas de forma desconectada, ou seja, uma característica muitas vezes é vista de modo isolado. Sem contexto, um gênio pode ser considerado um idiota, mas dentro de um contexto, tempo, lugar, relação, circunstância sua genialidade fica evidente. Pode-se citar o caso do Filósofo Georg Cantor que criou a Teoria Geral dos Conjuntos. O mesmo faleceu como um louco, pois suas teorias foram ridicularizadas em sua época. Hoje, no entanto ele é considerado um dos grandes mestres da área da filosofia e da matemática. 

Cada um dos colaboradores pode ser um gênio se alocado de maneira adequada dentro do espaço organizacional. Mesmo aqueles que aparentam certos “defeitos” podem ser aproveitados de maneira que vivam melhor e produzam bem dentro da organização. Uma característica sua pode ser um grande defeito num espaço, mas uma pérola preciosa em outro.

Rosemiro A. Sefstrom
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