sábado, 8 de dezembro de 2012

TODA ESCOLA É IGUAL

Muitos pais estão fazendo uma verdadeira procissão a escolas procurando a melhor delas para matricular seu filho no próximo ano.


Vários deles procuram a escola perfeita, outros procuram uma instituição que seja amigável para o filho que tem determinadas características de comportamento, de relacionamento ou de aprendizagem. Há ainda os que procuram um colégio "puxado" e também os que procuram uma educação com métodos "alternativos".

Qual será a melhor escola para colocar o filho? Já que muitos pais estão nesta época envolvidos com tal questão, valem algumas reflexões a respeito de nossas escolas.

Vamos começar a pensar nas instituições avaliadas como boas pela maioria dos pais. Vale a pena considerar os motivos de tal avaliação, os quais, aliás, são bem diferentes mesmo quando dizem respeito à mesma escola.

Boas avaliações em exames nacionais e aprovação de muitos alunos em determinadas faculdades costumam ser índices que agradam a muitos pais. Espaço físico imponente e presença de tecnologia também. Há ainda a tradição familiar: os pais --ou um deles-- estudaram na escola, assim como os avós, e conseguiram realização profissional e financeira.

Há também os que ficam satisfeitos porque percebem que o colégio transmite um volume grande de conteúdo nas disciplinas ministradas e isso parece bom, mesmo que exija que o filho tenha de recorrer a aulas particulares para acompanhar o ritmo.

Depois das bem avaliadas há as medianas e as consideradas "fracas". Por último, as públicas, pelo menos para a classe média.

Por que os pais colocam seus filhos em escolas que consideram apenas medianas ou fracas? Em geral porque são as que conseguem pagar ou então porque acham que o filho não irá acompanhar uma escola mais forte.

Pois está na hora de repensarmos essa questão. Das escolas mais bem avaliadas às consideradas mais fracas, todas seguem o mesmo padrão de ensino. Conhecemos bem a organização dessas instituições porque nós passamos por elas, assim como nossos pais e avós.

E essa organização, por mais ultrapassada que seja, acaba por nos passar a ideia de segurança. Falsa segurança, é bom ressaltar. Sabe por quê, leitor?

Porque essa ideia de escola não ensina o aluno a pensar, não contempla as diferenças entre eles, não oferece oportunidades para a conquista da autonomia, não promove a paz, a boa convivência, a liberdade, tampouco as relações democráticas.

Esse modelo de ensino mata a sede de conhecimento, a curiosidade, a vontade de pesquisar e de questionar. Essa escola quer alunos medianos e obedientes, é isso.

Então quer dizer que essa instituição é decadente? Sim, caro leitor, absolutamente decadente e ultrapassada. E por que, então, existe até hoje? Porque queremos que exista. Fazemos de tudo para manter esse modelo, até mesmo colocamos parte da responsabilidade dele nos pais! Queremos que essa organização permaneça porque nos parece conveniente, afinal.

Se você acha que seu filho aprende bastante desse jeito, você não imagina o quanto ele poderia aprender em uma instituição que tivesse como centro o aluno e não as disciplinas do conhecimento organizadas de modo linear e em objetivos mensuráveis.

Se você acha que seu filho não gosta de estudar, você não faz ideia de quanto prazer ele poderia ter em decifrar os enigmas do conhecimento em uma escola que não se interessasse tanto pelas respostas, e sim por boas perguntas.

Considerando esse modelo que as instituições de ensino seguem, tanto faz esta ou aquela porque, no fundo, são todas iguais. São mais parecidas do que você imagina.

Se você quiser pensar mais a esse respeito, vale muito a pena assistir ao filme "La Educacion Prohibida", disponível com legendas em português no endereçotinyurl.com/laeducacion   Por: Rosely Sayão
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