terça-feira, 22 de abril de 2014

QUEM SOMOS!

Em nossa vida, nem sempre somos os primeiros, nem precisamos ou até mesmo queremos ser. Assim acontece no consultório, lugar onde a vaidade de achar que se sabe alguma coisa sobre o homem, as pessoas, o ser, cai por terra trinta segundos depois de olhar para o outro. Quando olhamos no fundo dos olhos, não interessa a idade, sabemos que aqueles olhos, além de tudo que se possa dizer, nos trazem uma representação de mundo. Além dos olhos temos ainda todos os outros cinco sentidos, além daqueles que ainda não conhecemos, mas podemos conhecer na singularidade existencial. É no consultório e com este outro, diferente de mim, com quem vou construir uma caminhada, longa ou curta, tanto faz, mas uma caminhada que leve o outro à paradeiros por mim ainda desconhecidos.


Quando a pessoa senta-se diante de mim, numa sala de aula, numa conversa, no consultório, sei profundamente que não sei nada além daquilo que sei. Devo estar profundamente aberto, por meio dos olhos, ouvidos, olfato e todos os outros sentidos, para poder acompanhar a pessoa em sua caminhada. As minhas ferramentas, apenas teorias, quem me dá é o outro, pessoa da qual terei de tirar a experiência para poder vencer o caminho que ela me propôs quando começou a partilha comigo. A coragem, o ser destemido, nada além de boatos, sou como um ser qualquer, que tem medo, chora e erra, mas ao lado daquele outro preciso ser mais forte que ele ou ser mais fraco, para que ele seja forte.

Depois de um tempo caminhando juntos me sinto ambientado, acho até que posso perguntar algumas coisas, conhecer de maneira interessada o que ainda não está claro para mim. Mas mesmo quando pego e tomo a direção da conversa faço de maneira singela, simples, de acordo com a caminhada do outro. Com minhas perguntas conheço um pouco melhor os porquês, significados, lembranças, sentimentos, verdades, enfim, conheço um pouco melhor o caminho e a maneira de caminhar deste outro. Quando percebo que minhas perguntas causam dor, procuro parar e retomo o mesmo assunto por outras veredas, que causem menos sofrimento.

Caminhando junto aprendo a seguir o ritmo do outro, seu tempo. O meu de nada serve. De nada me adiantaria entrar no mundo do outro e caminhar à frente dele, pois não veria o que ele vê. Sigo seu passo, marco a passada e caminho junto, se possível respiro no mesmo ritmo, quem sabe assim sentirei como é estar no lugar dele. A cada paisagem que acompanho olho atentamente, não para o que gostaria de ver, mas para aquilo que o outro quer me mostrar. Olho o seu mundo pelos seus olhos, durante esta caminhada deixo meus olhos guardados para as minhas coisas.

Quando a caminhada já está avançada, conhecendo bem o caminho e o caminhante, com minhas ferramentas sugiro formas mais adequadas de se caminhar, ferramentas mais eficientes ou até mesmo eficazes para o trajeto que o outro caminha. Agora, com todo o percurso que percorremos juntos, sou tão próximo dele que algumas vezes posso retirar um obstáculo do caminho antes mesmo que ele escolha caminhar por aquela estrada.
Sei profundamente que não sou eu o ator principal nesta caminhada, e sim, o outro. Sou um coadjuvante, aquele que aparece bem no fundo das cenas. Não é para ser o primeiro, nem o último, mas é para estar sempre ao seu lado que sou o que sou e faço o que faço. Eu sou um Filósofo Clínico e trabalho com gente.
Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/


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