quarta-feira, 7 de novembro de 2012

EXPRESSIVIDADE 1

Expressividade é o quanto cada pessoa revela dela mesma e quanto guarda para si. Quanto fica retido e quanto flui em direção ao outro. É uma característica individual na relação consigo mesmo e depois em direção ao outro.


Não pode ser quantificada com exatidão. Algumas pessoas são completamente fechadas, não conseguindo liberar nada. Outras se abrem por inteiro, deixando passar de forma bruta tudo aquilo que vivenciam. A maioria filtra o que pode sair e o que deve ficar. Não existe certo nem errado, entretanto tanto a falta como o excesso podem causar dificuldades

UM 

Às vezes não consigo entender nem expressar direito o que estou sentindo no exato momento em que as coisas estão acontecendo. Fico com aquilo apertando ou alisando minha alma durante um tempo, para depois então aflorar e ficar escancarado. Não sei se isto é bom ou ruim. A vantagem desta demora é que quando finalmente o sentimento mostra a cara, já vem amadurecido. A desvantagem é que pode chegar atrasado e perder a hora.

Outras vezes não necessito tempo algum, é como uma máquina fotográfica instantânea registrando o sentimento ao vivo e a cores. Não sei se ontem à noite consegui expressar tudo que se passava comigo.

Nossa conversa no restaurante estava tão boa que nem percebi as horas voarem. Fomos os últimos a sair e só o fizemos porque os atendentes começaram a apagar as luzes e empilhar cadeiras. Neste momento meu sentimento estava muito claro: Quero continuar, quero mais!

Não lembro a última vez que esqueci a hora, o compromisso do outro dia, o perigo de ser assaltado dentro do carro... Estava me sentindo tão bem, a conversa fluía espontânea, as risadas vinham sem piada, os olhares se encontravam sem medo. Era como se nos conhecêssemos desde sempre. Havia uma intimidade não compatível entre duas pessoas praticamente desconhecidas. Estava adorando.

Eram quase duas horas da manhã, o restaurante praticamente nos expulsou, mal nos conhecíamos, estava louco de vontade de continuar ao teu lado, não queria de forma alguma me despedir naquele momento, mas algo me impediu de te convidar para esticarmos a conversa.

Senti aquele aperto na alma e uma voz muito chata que dizia para ter paciência, não atropelar, segurar meus instintos, afinal de contas teríamos a vida inteira para ficarmos juntos e talvez aquele ainda não fosse o momento apropriado para um convite deste tipo. Provavelmente era a voz da razão se manifestando.

A voz da emoção não falava nada, só alisava minha alma deixando-a leve e plena para usufruir tudo aquilo. Não tinha vontade nem condições de ficar elaborando teorias ou estratégias sobre o futuro.

Jamais vou esquecer aquele momento. Porta do restaurante fechada, madrugada fria, cidade adormecida, segundos infinitos de silêncio enquanto olhávamos um dentro do outro... 
Por: Ildo Meyer
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