segunda-feira, 1 de outubro de 2012

IMPRENSA: VOZ DA DEMOCRACIA OU PODER PARALELO?


Olá! Você acha que é possível alguém emitir uma opinião imparcial? Como poderíamos classificar uma crítica como efetivamente isenta? Inicio este artigo com estas questões, pois ouço muito rádio, e este é um dos principais veículos de comunicação que uso para manter-me atualizado. É comum em quase todas as emissoras de rádio e TV ouvir e ver vinhetas identificando programas e profissionais do jornalismo nacional e regional vendendo a imagem de credibilidade e imparcialidade. Sinceramente eu tenho minhas dúvidas e não consigo conter-me. Preciso perguntar: Até que ponto o jornalista ou comunicador têm a capacidade de manter-se isento na opinião que expõe? Como sua percepção e preferência podem não contaminar e produzir certa tendência à crônica que ele oferece a sociedade? 

Em um paralelo mais simples, a luz da filosofia clínica e de sua conversação com a filosofia de Emmanuel Levinas poderia perguntar: O quanto de mim eu levo ao mundo do outro para compreendê-lo? Reescrevo a pergunta: O quanto do jornalista vai em sua crítica quando ele vem a nosso mundo para descrevê-lo ou analisa-lo? Para mim as “vinhetinhas de credibilidade e imparcialidade” perderam o sentido ha algum tempo, e se entender o porquê interessar ao leitor, explico: Na série especial de 40 anos do Jornal Nacional a Rede Globo veio de público reconhecer através de seu ícone de seriedade e credibilidade, Willian Bonner, que o JN ‘provavelmente pecou’ na edição do debate entre Lula e Collor em 1989, e que a edição que só mostrou as virtudes de Collor e os erros de Lula durante o debate, “pode” ter influenciado no resultado daquela eleição. Você acredita em pecado?

Trazendo a prosa para nosso mundo regional, me canso de ouvir uma música que insiste em tocar numa nota só. Olho para a história e vejo alguns motivos que levam o músico tocar a canção desta forma. Prefiro trocar de estação. Decepciono-me ainda mais. Ouço que nesta estação o ouvinte tem voz e vez, mas quando este se manifesta e a opinião é diferente do comunicador, seu pensamento é compartilhado no ar, e no ar mesmo, o espectador é ‘detonado’ sem piedade por aquele que empunha o microfone. Ou ele empunha um punhal? "Que maravilha" deve pensar a maioria ignorante que acha isso sinceridade e coragem. Para mim esta atitude tem nome: Covardia! Alguns dirão: Este é o papel da imprensa. Acredito na imprensa livre para emitir sua opinião, mas alguns segmentos de nossa impressa eu acho que faz o papel parecido com aquele amigo ‘brincalhão’ do grupo, que faz piada com todo mundo, mas quando alguém brinca com ele o engraçadinho vira um “bicho”, todo‘dodóizinho’!

Já diria J. C. Bertrand no livro O Arsenal da Democracia (2002, p. 143): “Numa democracia, a imprensa é simultaneamente uma indústria, um serviço público e o quarto poder político. Desta tríplice natureza decorre a maioria de seus problemas, pois ela acarreta uma associação conflituosa entre quatro grupos: os cidadãos, os jornalistas, os proprietários dos materiais e os dirigentes da nação, eleitos ou nomeados.” Então chego a um dilema: Seria a impressa a voz da democracia e da liberdade, ou este quarto poder citado por Bertrand? Provavelmente as duas.

Veremos alguns jornalistas vestidos de heróis libertadores do pensamento e do sentimento de uma sociedade, mas outros também revestidos deste quarto poder que emana dos microfones, câmeras e papéis, e que chegam até nós através dos olhos e vozes de quem tem sim uma opinião escondida em suas entrelinhas. Mesmo que suas vinhetas os tentem vende-los como personagens acima do bem e do mal, praticamente semi-infalíveis, são tão humanos e passionais quanto qualquer um de nós, seus espectadores, porém debaixo do signo da fama e da visibilidade desejada por grande parte da sociedade.
Façamos um ótimo novo mês.

Por André Topanotti - Criciúma/SC - 30/09/2012.

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