quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ELA É INFIEL?

Em Filosofia Clinica, uma das recomendações iniciais da clinica é que tudo o que a pessoa disser deve ser entendido a partir da história de vida dela. Essa recomendação também vale para os termos que a pessoa usa. Quando ela fala, tudo deve ser entendido de acordo com os significados que ela dá aos termos. O significado usual de dicionário que utilizamos vale para escrever um livro, poema ou até mesmo um artigo, mas para as pessoas não. Assim como qualquer outra palavra, infidelidade também é uma palavra que tem sentido só de acordo com a pessoa que a pronuncia. 

No entanto, para ter um ponto de partida podem-se usar as definições dos dicionários e a partir delas continuar. Infidelidade, de acordo com dicionários online, pode ser entendida como deslealdade, traição. A palavra infidelidade tem uma conotação mais religiosa, por isso, ao longo do tempo entra cada vez mais em desuso, a palavra que ganha seu lugar é a traição. A palavra traição, de acordo com o Wikipédia, é “como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social”. Veja que a palavra traição é entendida primeiro como uma decepção e depois como o rompimento de um contrato social.

Antigamente o contrato social do casamento era regido única e exclusivamente pela igreja, era ela quem dizia o que era fidelidade e o que era traição. Nos dias de hoje tanto a fidelidade, uma questão de fé, quando a traição, uma questão de contrato ganham significados diferentes em cada união. Pense que uma mulher jovem uniu-se à um homem pelo seu dinheiro, assim como ele uniu-se a ela pela beleza que ela tem. No contrato social estabelecido entre os dois a fidelidade acontecerá enquanto ele for o provedor do dinheiro e ela da beleza. Se, por acaso, por algum motivo ele não tiver mais dinheiro para alimentar o relacionamento, ele está traindo ela. O mesmo acontecerá se ao longo do relacionamento ela não cuidar de si mesmo e ficar feia.

Até aqui os exemplos foram distantes e bastante caricaturais, mas agora, imagine o relacionamento que você começo com sua esposa. O contrato que cada um de vocês aceitou no dia que resolveram se unir, o que dava a cada um de vocês os critérios de fidelidade? Aquele critério que se um homem é casado e por acaso mantiver com outra mulher fora do casamento ser considerado traição, esse pode não ser um critério. Não é difícil de saber de casais que vivem o que chamam de relacionamento aberto, mesmo nesses relacionamentos há critérios de fidelidade. Em muitos casamentos como este a fidelidade está em cada um continuar ligado ao outro por amor, o dia em que um dos dois amar outra pessoa, aí aconteceu a infidelidade.

Pegue por exemplo o filme Ray, que conta a história de vida do cantor Ray Charles. Ao longo de sua vida ele jamais traiu sua mulher e ela, ao menos pelo que passa no filme nunca sentiu-se traída. Há uma cena muito bonita quando ela pede que ele deixe na estrada o que é da estrada, referindo às drogas. Pelo filme, provavelmente ela sentiu-se muito mais traída pelas drogas que ele utilizou e escondeu dela do que pelas mulheres com que teve relações.

Na relação entre marido e mulher, pais e filhos, patrão e empregados, amigos, os critérios que definem a fidelidade são definidos na relação. Assim como os critérios são definidos na relação, também é a partir da relação que se pode saber se alguém foi traído. Seria interessante saber quais foram os critérios que escreveram o seu contrato social de união com o outro. Só assim se saberá quando está sendo traído.
Por: Rosemiro A. Sefstrom

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