sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CRITÉRIO


Há pouco tempo iniciei um projeto que leva o trabalho de Filosofia Clínica do consultório para a empresa, ou seja, o trabalho terapêutico que tem por objetivo resolver questões existenciais neste caso é voltado como ferramenta para a dissolução de questões organizacionais. Um dos vários propósitos de se inserir a Filosofia Clínica nas organizações é levar para a administração o entendimento de que cada ser humano é único, além de se fazer entender que os recursos humanos precisam ser entendidos como mais precioso que qualquer outro recurso econômico. Explico: numa empresa, a matéria prima recebida é analisada e usada de acordo com suas propriedades e o mesmo deveria ser feito com o ser humano, ou seja, respeitar sua singularidade. 

Em determinado atendimento realizado numa organização, o problema apontado por um funcionário em cargo de gerência foi o seguinte: o gerente relatou que estava com peso por ter demitido um de seus funcionários e que cada vez que precisava demitir, isso lhe causava grande sofrimento. Em posse de sua historicidade (aos filósofos clínicos lembro que é: Historicidade, Exames das Categorias, EP, Submodos Informais, etc.) iniciei um trabalho de divisão. Divisão é um procedimento clínico por meio do qual o filósofo leva o partilhante a separar seus conteúdos de acordo com alguns critérios. Perguntei ao referido gerente se havia algo em específico que lhe causava este sofrimento. O partilhante respondeu que o que lhe causava sofrimento era saber a situação difícil que vivia o funcionário que havia demitido, mas que ao mesmo tempo sabia que precisava demiti-lo visto que o funcionário não dava resultado mesmo após várias chances.

Percebe-se que o partilhante apresenta um choque na Estrutura de Pensamento entre as Emoções e a Razão, choque que lhe causa sofrimento no desempenho de sua função. Para sanar este choque, com o conhecimento prévio do funcionamento do partilhante por meio da historicidade, foi encaminhado um processo de divisão. Esse processo começou com base em pequenas questões sobre o processo de seleção dos candidatos à vaga e como eles eram contratados. Ao longo desse processo, o partilhante percebeu que eram critérios racionais que mostravam se o candidato à vaga seria contratado e o mesmo era feito para a demissão de um funcionário. Ele percebeu que assim como a admissão, a demissão também é feita com base em critérios e não em gostos, que a demissão não é feita por ele, mas pelos critérios que inviabilizam a permanência do membro na equipe. 

Outra situação foi a de uma coordenadora que recebeu a sugestão de demitir um funcionário de sua equipe por não estar cumprindo as metas. A mesma observou os critérios utilizados para avaliar e percebeu que deveria flexibilizá-los com a pessoa em questão. A coordenadora reconheceu que o tempo de aprendizado de cada um dos membros da equipe é diferente e resolveu esperar. Ao fazer isso, ela tornou os critérios singulares, ou seja, os critérios se aplicam a cada um de acordo com o seu jeito, sua singularidade. Os critérios são linhas que definem dentro e fora, certo ou errado, mas que podem ser utilizados de maneira singular.

Tanto no primeiro quanto no segundo caso há uma divisão, sendo que, não são as pessoas que demitem as pessoas, mas os critérios que dizem quem está dentro ou fora. A proposta da Filosofia Clínica é apresentar critérios que se flexibilizem, critérios que avaliem cada um como ser único. Sabe-se que são as pessoas que fazem os critérios e elas mesmas os aplicam, mas a falta deles pode encaminhar uma instituição à falência, processos judiciais, desagregação, conflitos, etc.

Por: Rosemiro A. Sefstrom Do site: http://www.filosofiaclinicasc.com.br/
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